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terça-feira, 9 de março de 2010

O Desabafo de Outono - 1




Nós mal nascemos e já estamos morrendo, morrendo por dentro, mas a verdade é que nunca vivemos. Estamos perdidos em um deserto de mentiras e sombras, perdidos no deserto do real e do imaginário acreditando estarmos vivendo uma realidade, pura besteiras, pois existem duas.
Assim dizia Platão e ele não estava errado – ou nunca esteve certo, pois para mim isso é um grande paradoxo. Ainda recorremos a nossos mitos. Ainda precisamos de nossos heróis e Cristos do mundo moderno, pois eles nos ajudam a filosofar e entender o que estamos fazendo aqui.
A verdade é que estamos presos em duas dimensões entrelaçadas: o Mundo Sensível e o Mundo Inteligível. Você pode até se perguntar que porcaria é isso, e é o que explica tudo ao seu redor. Seu mundo, sua criação, as leis da natureza, o propósito do universo, a existência ou não de divindades. Toda essa baboseira que você foi forçado a acreditar.
Nossa realidade é uma grande caverna de ignorância, estamos presos aqui e acreditamos que isso é a vida que Deus criou para mim e para você, mas eu não fui criado por Deus e nem por isso deixo de existir.
Eu nasci da necessidade do homem de dar nomes as coisas, das forças da natureza e do equilíbrio das forças que regem o universo. Deus não poderia me destruir, pois seres como nós, estão acima dos deuses. Esses aí a quem vocês fazem suas súplicas vêm e vão ao longo das eras, caem no esquecimento, trocam de nomes e povos, mas nós não. Eu sou sempre o mesmo.
Já tive vários nomes, mas existe um pelo qual sou conhecido no mundo inteiro e por onde passo os seres humanos notam minha presença, ou mesmo antes que eu chegue todos já podem sentir.
Eu costumava dizer que trago a renovação das coisas, outros dizem que só trago a destruição do que é belo, mas não seria a beleza infinita e efêmera? Assim como eu? Não sei mesmo, isso é da sua conta, pois não me interessa o que você acha. Não muda o que sou.
Ainda bem que lembrei. Vamos voltar! Eu nasci da mente do homem, lembra dos dois mundos dos quais te falei? Então. Eu venho do Mundo Inteligível, onde as coisas que não possuem forma e consciência adquire forma física. Pois é, isso que dizer que sou alguém, não apenas uma voz na sua cabeça ou aquele vento que despedaça as folhas das árvores, ou que sou apenas o amarelar das folhas numa manhã fria.
Nossos mundos estão entrelaçados, mas você não pode me ver. Pode apenas me sentir. E como você faz parte do Mundo Sensível, são incapazes de acreditarem nisso que escrevo. Mas, tente pelo menos pensar a respeito. Quando eu era jovem e isso foi antes da minha doença, eu acreditava em vocês também. Acreditava que a humanidade saberia viver junto de mim em harmonia, mas vocês ferraram com tudo e agora estamos despencando da beira de um abismo dos infernos.
Está rolando uma conspiração do pessoal daqui. É verdade, eles querem ferrar com vocês. Destruir tudo em seu mundo e confesso que eu estou quase fazendo a minha parte, mas há uma coisa que me impede. Uma coisa idiota o suficiente pra me fazer perder o sono. Mas, deixe pra lá, não importa.
Cara, preste atenção numa coisa. Vai rolar uma reunião com o pessoal que está aqui e mais alguns que estão por vir, eles querem acabar com seu mundo. Não que eu tenha dó, só acho que estamos interligados mesmo, mas ninguém acredita em mim. Afinal, quem poderia acreditar em alguém que só trás a morte e a destruição turbinada de tristeza e melancolia por onde passa?
Muito prazer, meu nome é Outono, mas para vocês não passo de uma estação do ano.
A reunião vai começar, fui...

4 comentários:

  1. Muito legal, reflete coisas que eu estou sentindo agora neste momento, adorei...

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  2. Valew Juninho pela visita e pode deixar que mais cedo ou mais tarde a gente demole a Matrix...

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