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sábado, 3 de abril de 2010

O Desabafo de Outono - 4


Somos seres destituídos de Causa. Somos impressões da matéria ao espírito que juntos se imprimem sob as leis da natureza em uma energia dinâmica chamada vida.
Estamos presos a uma realidade absoluta além a existência de todas as coisas, um princípio eterno, imutável, ilimitado, insondável, impenetrável à razão humana a além do mais distante pensamento. Tudo isso são aspectos do Absoluto, sinais da primeira trindade: matéria, espírito e vida. Muito antes os Gregos chamavam isso de Logos, os hindus de Parabrahman, e nós ocidentais chamamos isso de Deus.
Essa idealização cósmica se manifesta em corpos presentes onde o pensamento se pluraliza e individualiza construindo uma infinita e manifestada rede de mentes interligadas. A eternidade bem dita se estabelece na conexão de nossas mentes que são alheias a todas as leis, é uma realidade dividida em ciclos de Criação e Destruição, é a impressão da matriz substancial sob as leis da natureza independente de lógica.
Somos almas individuais, possuímos nossa própria personalidade, mas ainda sim contribuímos para o princípio da Alma Coletiva. Somos frutos de uma energia cósmica que todos chamam de Ovolun. Desde a energia das plantas ao vento e a chama divina que sopra a vida dentro do homem podemos encontrá-la.
 Todos nós conquistamos nossa autoconsciência, portanto existimos e muito além da manifestação física da matriz substancial já existíamos e além do fim ainda resistiremos. Os ciclos de Destruição podem destruir a matéria, mas não o espírito, portanto a vida é eterna, destituída da necessidade de ser explicada pelas leis da natureza ou da razão da mente humana.
Aqui, onde sua mente é liberta e seus sentidos não são capazes de sentir meu cheiro, ouvir minha voz, tocar minha face, ver os meus olhos ou experimentar o doce mel de minha boca eu simplesmente existo. Não dependo de sua razão, nem de sua credulidade e sou alheio a sua filosofia e isso que faz de mim parte do Absoluto.
Eu sou um daqueles que vocês chamam de Construtores do Universo, consciente de meu papel no plano geral da evolução. Sou totalmente voluntário em minha necessidade de expressar minha divindade, e sei plenamente da efemeridade de minha vida. De como sou um ser perecível, uma manifestação da mente de Deus e, portanto estou de passagem, preso a um ciclo de renovação onde no fim toda a energia que compõe a mim será devolvida ao cosmo.
Minha Supernova, minha ultima detonação, acabara com minha manifestação material, mas o que sou será absorvido pelas forças que compõem nosso planeta, nosso sistema solar e muito além será devolvido ao caos absoluto, um Buraco Negro que destrói e se reconstrói configurando um novo começo.
 A singularidade de um Buraco Negro não pode ser medida, assim como a vida, pois nele o tempo não existe. Nossa manifestação é ilusória, pois formamos todos nós um ser, um único organismo, como células que não podem ser vistas separadamente, a não ser por olhos divinos que nos regem.
Toda criação, tudo o que sua mente pode conceber está debaixo de uma inteligência sublime e não há nada de acaso e sorte em nossa existência, realmente estamos aqui por um propósito, do qual nossa mente material não pode entender.
Estamos presos ao mundo sensível, mas não há verdade mais católica do que esta e com certeza essa compreensão sempre lhe foi negada e toda essa verdade permaneceu oculta para seus olhos, mas acredite! Todo o Multiverso e o Ovolun estão presentes em ti, por mais que tua razão não o compreenda ainda há de existir.
Uma faca em minhas costas não quer dizer nada, a não ser que a razão de mais uma mente me expulsou assim como posso ser expulso da tua. Sou como um vírus de Outono tentando renovar a vida em tua mente, mas sei que posso ser assassinado pela ignorância de teu dogmatismo religioso.
Mas pense bem no paradoxo gerado por tudo isso. Não existo, portanto não deveria estar em tua mente tecendo palavras para abrir seus olhos sob o mundo sensível visto que estou aqui com os pés plantados no mundo inteligível.
Acredito que todos nós, Construtores do Universo utilizamos de nossos heróis e anti-heróis para que essa verdade chegue até você. Talvez você tenha entendido quem eu sou, mas se ainda não, tentarei resumir. Sou uma alma dotada de inteligência, uma singela fração da matriz substancial que se imprime sob as leis da natureza sob a união de espírito e matéria que forma a vida, existo mesmo que ausente da manifestação de algum destes planos e para que não fique nenhuma dúvida, não estou encarnado. Existe apenas dentro de tua mente e através desta mente que vos escreve posso contigo me comunicar.
Ovolun ou Deus, esta energia que do Absoluto gera tudo e a tudo destrói compõe nosso universo ou o completo Multiverso, que nada mais é do que a junção do espírito e a matéria, o inteligível e o sensível, o início e o fim, a Criação e a Destruição.
Bem vindo ao Multiverso Ovolun.


3 comentários:

  1. Muito bom, estou adorando, varias coisas eu ja conheço dos outros contos mas esta nova abordagem, nova forma de escrever esta me conquistando ainda mais, estou esperando ja o desabafo do outono 5.

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  2. Cara, isso tudo é muito bom!
    Estou Aguardando o desabafo de outono 5.

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  3. Que ótimo vocês absorverem esse universo dentro de vossos âmagos, a intenção é conectar a todos nessa rede-social literária para que mesmo distantes, estejamos juntos!

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