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sábado, 22 de maio de 2010

Helm Castelo Cinzento - 2/12



Áquila, 4 de Abril de 1380.
Nem todos os homens que procuram a morte são aceitos por ela, alguns como Helm, são mais interessantes vivos. Tudo o que ele mais buscou na vida era um sentido para sua existência, um motivo para acreditar que talvez ele fizesse parte de algo grandioso. Mas, Helm sabia que na verdade todos viviam presos em um mundo de caráter ilusório, onde a maior vitória nada mais é do que a aquisição de bens materiais.
Helm abriu os olhos com dificuldade, havia uma singela luz adentrando o aposento de paredes de pedra através de uma janela oval. No ar havia um leve cheiro mirra e seus ouvidos captavam o crepitar de uma lareira na parede oposta da cama onde ele se encontrava repousando.
Seu corpo parecia estar estraçalhado e um ferimento de lâmina riscava seu abdômen, Helm então se lembrou de quando abandonara sua terra natal anos atrás em busca de seu objetivo e então:
Orcs, flechas e escuridão...
― Eu tinha certeza que tu tava vivo mestiço miserável. Tu tens o sangue ralo, mas não morre assim tão fácil não. Quando eu te achei estrebuchando na estrada ao lado de uma penca de orcs eu sabia que tu não tava vivo a toa. ― disse uma voz rouca e granulada típica de um fumante.
Helm olhou em direção a voz e viu um velho anão recostado sob a soleira da porta olhando-lhe de soslaio. Sob suas costas repousava um belo martelo de pedra e sua brunea azulada era esplendorosamente digna de um lorde anão, assim como seu elmo azulado repleto de adornos em dourado. Helm virou os olhos e suspirou, o anão de longas barbas trançadas era tudo o que ele não precisava no seu pé.
― Ta querendo de morrer seu babaca... ― disse Helm quase sem voz.
Zinkt até que abriu a boca, mas...
―Ninguém aqui vai morrer! ― declarou uma voz que adentrava a sala e pegava a conversa pela metade.
Era um soldado arthaniano que parecia possuir não mais que trinta verões, mas seus cabelos eram brancos como o gelo. Estava vestido com uma armadura de batalha completa sem elmo feita de ouro puro. Sob suas costas repousava uma gigantesca espada larga capaz de partir ao meio até um gigante. Uma pequena espada longa e uma lança curta completavam o arsenal ambulante, além de um enorme escudo de platina. O soldado tinha os olhos brilhantes como que se fossem mágicos, mas de uma aparência assustadora. Helm sabia que aquilo não era normal de um ser humano qualquer.
― Parece que alguém aqui já está bem melhor não é Zinkt? ― disse ele olhando para o anão ― Sou Sub'Azzerroze. Capitão das Tropas Reais de Áquila. Exijo que me diga o que trás você e uma tropa de orcs a reboque até os portões de nossa cidade. ― disse o capitão arthaniano.
― Meu nome é Helm meu chapa e com toda sinceridade eu lhe digo que o que eu faço aqui não é da sua conta. ― disse Helm com um sussurro sarcástico tentando não se rebaixar ante a presença imponente do capitão ― Você não é o dono desta cidade.
O anão na beira da porta sacou seu martelo pronto para golpear, mas acabou dando um passo para trás quando o capitão bloqueou sua passagem com o braço.
― Fique frio Zinkt. Deixe que eu cuide disso. ― ordenou o Sub’Azzerroze com um meio sorriso indecente.
Helm tateou sua capa em busca de sua adaga, mas estava desarmado.
― Eu poderia dizer que você se aprece muito com alguém que conheço, mas sinceramente você não é ele. Mas, há algo em você que muito me intriga. Diga-me qual é seu sobrenome e sua origem Meio-Elfo que eu te liberto sem o menor problema. ― ordenou Sub'Azzerroze.
Helm tentou levantar novamente e com muita teimosia contra sua dor em seu ferimento de corte pode se sentar sob o leito onde repousava.
― Meu nome é Helm Castelo Cinzento. Venho de um reino distante e tenho assuntos a tratar nesta cidade. Tenho um encontro com um sacerdote em um templo nesta cidade. ― disse Helm vendo a expressão de pavor na face de Sub'Azzerroze e do anão ao ouvirem seu sobrenome.
― Castelo Cinzento... ― repetiram em uníssono meio que sem voz os dois amigos trocando olhares apreensivos.
Mas de repente ao lado do anão sob a soleira da porta, surge magicamente um velho ancião embrulhado num manto dourado que apoiado sob um velho cajado de madeira examinou minuciosamente Helm, Sub'Azzerroze e o anão, mas demorando-se um pouco mais sobre o meio-elfo sussurrou:
― Então era aqui que você estava Helm Castelo Cinzento...
O velho mago levantou seu cajado e pontos luminosos de milhares de cores começaram a se espalhar pelo recinto enquanto ele conjurava um feitiço que fez com que os três sentissem sua força de vontade ser esmagada pelo poder avassalador emanado pelo velho mago e caíssem em um sono profundo.
― Nosso encontro começa agora Helm...

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