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sábado, 22 de maio de 2010

Helm Castelo Cinzento - 3/12



Áquila, 5 de Abril de 1380.

Helm não tinha a menor idéia do que havia acontecido assim que acordou sob a escadaria de um magnífico templo no alto de uma gigantesca torre, muito menos entendeu o que era a devastadora batalha sob as ruas da gigantesca metrópole ao longe. Ele sabia que eram atrás dele que os dragões estavam e não descansariam enquanto não dessem cabo de sua existência. Havia algo diferente em seu âmago, uma autoconfiança nunca antes sentida.
Os dragões que destruíam a metrópole pareciam sentir sua presença e isso perturbava seus sentimentos que não sabiam muito bem como reagir à situação. Havia fogo e fumaça por todos os lados, estava difícil para respirar e os corpos carbonizados estendiam-se por todos os lados das ruas.
Helm sentia um poder crepitando nas entranhas de sua alma, era algo inexplicável e parecia aumentar cada segundo em que permanecia na frente do templo. Então, Helm sentiu um terrível zumbido agudo dentro de sua mente que lhe jogou de joelhos ante a gigantesca porta de metal do templo a sua frente. Ele não tinha a menor idéia da fonte que emitia o terrível zumbido, mas fosse o que fosse Helm sabia que era uma espécie de chamado, pois seu corpo sentia necessidade de ir ao encontro do sinal silencioso.
Ele se levantou segurando a cabeça que latejava e tentou olhar para a porta do templo a sua frente e então suas mãos começaram a inflamarem-se em chamas, mas elas nada lhe fizeram. Ele sentiu que o poder que parecia crepitar em seu âmago desejava se libertar e através de suas mãos um poderoso gêiser de chamas explodiu sobre a gigantesca porta de metal despedaçando-a templo adentro.
O interior do templo revelou-se como um gigantesco salão de audiências com um trono sob um altar ao fundo. Parecia que o lugar há muito tempo não era utilizado nem mesmo pelos membros da ordem ao qual ele deveria pertencer, pois não havia o menor sinal de que alguém ainda participasse de quaisquer cultos no local.
Helm sentiu a dor em sua cabeça aliviar conforme ele adentrava o longo salão, no fundo de sua mente ele sabia que em algum lugar deste templo ela se extinguiria totalmente, pois o que ele acreditava é que algo o estava conduzindo ao seu próprio encontro.
Havia diversos pilares que sustentavam o teto da entrada ao fim do salão e eles haviam sido esculpidos em uma forma que havia diversas gravuras de heróis lendários e criaturas épicas em batalhas colossais. Helm estava encantado com a perfeição de cada escultura, pois pareciam perfeitas demais para terem sido feitas por meros mortais.
Em seu transe atemporal pela aula de história que lhe era ensinada pelos pilares do templo Helm nem percebeu que chegara ao fim do longo caminho até o trono. Foi só quando ele se deparou com uma intensa luz negra que era emanada de uma estátua atrás do trono, é que ele se deu conta que a dor que lhe afligia havia sido extirpada.
Era a estátua de um nobre guerreiro arthaniano, um verdadeiro herói de feitos épicos. Seu porte era majestoso, seu tórax estava desnudado deixando a mostra toda sua completude física extraordinária. Sobre sua cabeça um elmo cobria-lhe a face conferindo um aspecto cadavérico, sua mão direita empunhava uma espada larga enquanto sua mão esquerda empunhava um grande escudo com o brasão de um dragão repousando sobre uma rocha.
Helm sabia que era a mesma ordem a qual Sub’Azzerroze pertencia, mas ainda lhe era um mistério quem fora este homem que a estátua representava como se fosse um ser divino.
Quando Helm olhou diretamente os olhos da estátua a aura negra emanada se intensificou suas mãos novamente explodiram em chamas. Parecia que era ela quem despertava tudo isso que havia dentro dele de uma forma que Helm sabia que todo esse poder crepitando em suas entranhas desejava ser consumido pela estátua.
Sem poder controlar o que estava prestes a acontecer, Helm deixou que todo o poder que percorria seu corpo se libertasse novamente e então um terrível gêiser de chamas explodiu de suas mãos diretamente sob o tórax da estátua.
A explosão arremessou Helm com uma violência devastadora enquanto sua capa cinzenta e seu corselete de couro evaporavam. Por um momento o pânico tomou conta de seu ser, pois o as chamas que consumiam suas vestes não queimavam sua pele.
Ele então estava nu e enquanto ele caminhava por entre as chamas e a fumaça em direção a estátua seu corpo parecia estar protegido magicamente, pois nem mesmo o fogo e o calor lhe afligiam. Nada disso faz sentido, pensou Helm.
Quando ele chegou até a estátua do lendário guerreiro ela estava intacta a não ser apenas por um buraco em seu peito onde dentro dela repousava uma esfera de cristal luminosa de uma negritude azulada que Helm tinha certeza ser a coisa mais magnífica vista em sua vida.
O desejo de possuí-la tomou conta de seu ser e assim que ele esticou sua mão para pegá-la uma voz gutural como o crepitar de uma montanha de fogo invadiu o templo através das chamas:
― Não toque nisso Helm Castelo Cinzento. ― ordenou o dragão dourado que se encontrava a frente do templo.
Helm virou-se para trás e viu quando o dragão arrebentou a estrutura do templo para que pudesse entrar com seu corpo colossal. Os olhos de Helm repousaram sobre o cristal negro e ele sentiu que ela lhe pertencia, apesar da proibição do dragão.
― Ela me pertence e sempre me pertenceu dragão miserável. Agora sei o que é que me chamava durante todo esse tempo. Agora eu sei qual era o encontro destinado a mim nesta cidade. ― gritou Helm segurando a esfera de cristal em suas mãos enquanto uma espiral de energia negativa envolvia seu corpo através da dela.
Helm começou a levitar enquanto seus músculos e tecidos eram desintegrados de seus ossos. Em poucos segundos, apenas uma forma esquelética restou de Helm, enquanto que a escuridão azulada que era emanada pela esfera de cristal agora brilhava no interior de sua cavidade torácica.
O dragão soprou uma torrente de chamas na direção de Helm para impedir que a transformação iminente se completasse, mas já era tarde e seu sopro fora dissipado sem muitas dificuldades pelo ser de energia negativa que agora se encontrava a sua frente.
Dourado Implacável deu um passo para trás.
Helm havia sido possuído pelo cristal mágico.

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