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sábado, 22 de maio de 2010

Helm Castelo Cinzento - 9/12



Reino Élfico de Inaradrinn, 22 de Maio de 1980.
A verdadeira busca de todo ser mortal é sua aceitação como um ser de significado, longe de apenas mais um organismo vivo sem função no grande plano superior. Todos nós designamos uma parte de nossas vidas tentando entender o real motivo de estarmos por aqui e alguma razão para entendermos para onde é que vamos ao fim de tudo.
Helm sempre buscou todas essas respostas. Dentro de si. Em seus semelhantes. Nas estrelas. Em cada por do sol. Em cada dia de sua vida.
Em vão...
Mas agora, depois de oito anos longe de sua terra natal, Helm havia encontrado mais do que as respostas que ele sempre procurou. Ele havia percorrido uma estrada de trevas e solidão em busca de suas origens. Em busca de sua paternidade.
Ao contrário do que sempre imaginou, Helm acreditava que era fora dos limites de Inaradrinn que estava sua felicidade. Que talvez os homens possuíssem as respostas para seus dilemas existenciais. Que talvez fosse mais fácil entender o significado da vida com aqueles que não as tem por muito tempo como os elfos.
Ou Meio-Elfos.
 Mas o que Helm encontrou foi somente um rastro de morte e ganância. Nunca em toda sua vida ele viu tanto sofrimento em seres condenados a continuar a viver mesmo após já não estarem mais espiritualmente encarnados. O mundo dos homens ao qual seu pai fazia parte estava podre assim como as profundezas do coração de cada ser que o habitava.
Assim como a metade de seu ser.
Helm estava condenado ao sofrimento pelos pecados herdados de seu pai. Dentro de seu ser havia uma relíquia maldita alterando cada fibra de sua alma trancafiada nas profundezas de seu âmago.
Sua presença era o reflexo da morte. E somente a morte poderia levá-lo ao encontro da verdadeira resposta para luz que havia fora da caverna. Talvez agora mais do que nunca os elfos não entenderiam o que realmente Helm era, no que realmente ele havia se transformado.
Helm estava em casa agora. Onde sua mãe repousava sobre o leito de pedra do sono eterno. Onde os elfos se escondiam dos problemas dos homens como que se seus mundos fossem separados. Como se isso fosse possível.
Helm era a prova viva que eles estavam entrelaçados.

*****

Helm sentiu uma paz inundar seu coração assim que viu os edifícios-árvores de Inaradrinn a sua frente. Mais do que nunca ele estava decidido a ter de volta tudo àquilo que ele renunciou quando partiu. Sua posição como Ranger, seu amor proibido e o perdão de seu Rei.
Helm atravessou as longas escadarias que contornavam as gigantescas árvores em direção ao Palácio da Luz, lar de seu tio e Rei de Inaradrinn. Antes mesmo que pudesse chegar ao portão principal da cidadela uma patrulha de ranger élficos surgiu do alto dos galhos e do meio das gigantescas raízes interceptando sua demanda.
Helm reconheceu o líder do elfos como seu primo Ewok, príncipe de Inaradrinn.
― Ewok! Saudações querido primo! ― disse Helm abrindo os braços para abraçar o Ranger a sua frente, mas recebeu apenas vários arcos apontados para sua face.
O príncipe dos elfos observou seu primo bastardo a sua frente com total desprezo no que via. Ewok não via de maneira alguma seu antigo parceiro vestido com os trajes dos Rangers de Inaradrinn, mas sim um homem escondido em roupas de couro negro coberto por uma longa capa.
Ewok via um homem.
― Não acredito que você teve coragem depois de tantos anos de voltar aqui. Desde o dia em que você nos abandonou você não é mais bem vindo por aqui. O Rei de Inaradrinn não lhe dá boas vindas. ― disse ele sacando sua espada ― Peço que entregue suas armas e me acompanhe Helmnaliss.
  Helm sentiu um nó em sua garganta ao ser chamado por seu nome élfico. Ele imaginava uma recepção um pouco diferente por parte de seus parentes. Mas isso só confirmava o que ele sempre soubera – ele não era bem vindo naquela terra.
― Eu não espero que você me entenda Ewok. Eu tive meus motivos para partir. Você nunca entenderia. ― explicou Helm olhando seu primo sentindo seus olhos umedecerem.
 Ewok sorriu indignado.
― Você nos abandonou Helmnaliss! ― gritou ― Como você quer que eu entenda uma coisa dessas? Você saiu daqui como um covarde quando mais precisávamos de você. Você fugiu como um rato, pois é isto que os homens são! Ratos!
As palavras de Ewok acertaram Helm como uma flecha em seu coração.
― A culpa por eu me sentir diferente neste lugar não foi minha. Eu não pedi pelas coisas pelas quais vocês me culparam. Vocês me forçaram a fazer...
― Não seja hipócrita Helmnaliss. Você nos deve tudo o que tem. Tudo. ― interrompeu Ewok aos gritos com a face desfigurada pela fúria olhando Helm nos olhos a poucos centímetros de distancia.
Helm mordeu os lábios e abaixou a cabeça. O ódio invadiu seu ser e as trevas que habitavam seu coração tentaram se libertar. E com um enorme esforço Helm respirou profundamente e trancafiou seus sentimentos dentro de si.
― Ewok... Não peço que me perdoe... ― disse quase como um sussurro.
― Não diga nada Helmnaliss. Você não é digno de dizer nada. ― declarou sem esconder o desprezo em sua voz e olhando para os Rangers de prontidão ― Tragam este homem.
Helm nada fez assim que os elfos seguraram no pelos braços.
― Chegou à hora de seu julgamento bastardo desertor. ― disse Ewok fulminando Helm com o olhar.

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