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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Demolidores Cruzados - Parte 5/8

LADNAR GALHOFEIRO & JERRY LASCA-PEDRA


Áquila, 4 de Abril de 1380, PM 2h00min

Ladnar Galhofeiro era um dos poucos membros dos pequeninos halffits a viverem em Áquila, a maior cidade de humanos de toda Arthania, com todo o conforto e segurança que ele possuía. Sua taverna: Escama e Dragão, era uma das mais visitadas pelos viajantes e boêmios de plantão e por outras pessoas nem tão bem vindos assim.

Seu primo de sétimo grau, Jerry Lasca-Pedra, também havia deixado o condado dos halffits além das colinas distantes em busca do sonho arthaniano e juntos os dois tocavam a taverna de vento em popa todas as noites sem nunca descansar. Dinheiro era a alma do negócio e regado a muito álcool e folhas de fumo eles conseguiam isso todas as noites.

Era uma ótima vida depois da aposentadoria da velha estrada.

Os dois estavam longe de problemas agora e pagavam bem pela segurança que tinham. Mantinham muitos contatos com vários tipos de pessoas tanto boas quanto não tão boas assim. Mas iam levando a vida assim na maior alegria, afinal se isso era o “sonho arthaniano” como eles imaginavam: bebida, fumo, jogo, ouro e mulheres então eles nunca que queriam acordar.

Eles haviam acordado cedo naquela manhã, haviam se equipado com seus velhos equipamentos de aventura e partido para um encontro secreto no portão norte da enorme metrópole. Pelas sombras dos diversos níveis suspensos em que a cidade se erguia eles desceram todos eles sem serem vistos.

Ladnar Galhofeiro estava como nos velhos tempos no maior estilo Demolidor Cruzado, com suas vestes negras e sua espada curta de fabricação élfica, mas sem a mesma determinação dos tempos da estrada. Jerry Lasca-Pedra seguia a reboque com sua capa esverdeada, cordas, adagas e o medo estampado no olhar.

Os dois assim que saíram pelo portão norte e seguiram pela velha estrada cercada por velhas árvores de galhos secos e troncos retorcidos já sentiram que deveriam voltar. O local do encontro não era muito longe, uma velha casa de madeira a poucos quilômetros da cidade, mas quem estaria lá era que era o problema maior.

Mas, no meio do caminho a morte veio cortejá-los. Pedaços de orcs estavam espalhados por todos os lados, assim como corpos e sangue seco das fedorentas criaturas. Mas, o que mais lhes espantou foi que entre as dezenas de criaturas repugnantes que estavam mortas só havia um único ser capaz de assumir a responsabilidade por tamanha brutalidade. Era um Ranger Meio-Elfo que jazia ferido de corte no abdômen sob o chão enlameado.

Os dois chegaram perto e perceberam que o Ranger estava vivo, mas desacordado. Então tomados pela curiosidade revistaram seus pertences para ver se nenhum orc havia roubado alguma de suas coisas e encontram uma valiosa faca élfica manchada de sangue escondida sob a capa. Eles sabiam que se a deixassem ali alguém poderia vir a roubá-la e decidiram que era melhor que levassem até que o Ranger melhorasse e pudessem devolver.

A terrível batalha parecia não ter acontecido há muito tempo, uma hora talvez. Então ouviram gritos de criaturas, muitos deles, aproximando-se pela estrada. Rápidos como uma flecha embrenharam-se entre as raízes das árvores e então virão que se tratava de mais orcs...

Dúzias deles, mas eles não imaginavam que o pior estava ao lado deles e assim que estavam protegidos do perigo lá de fora perceberam que estavam sobre um terrível antro de insetos peçonhentos. Então diversas aranhas fincaram seus ferrões nos pobre coitados que em menos de um minuto sucumbiram à vertigem venenosa dos aracnídeos e caíram inconscientes.

*****


Diock Sub’Azzerroze era o capitão da tropa do portão norte naquela manhã e assim que os dois pequeninos cruzaram os limites de segurança da capital arthaniana o fato chegou até seu conhecimento. Ele ansiava mais do que tudo pegar os dois velhos conhecidos metidos em alguma coisa ilegal de uma vez por todas e aquela era sua chance. Zinkt de Howerheck, o ferreiro anão, que checava a troca da guarda do portão norte não pode deixar de ouvir o que fora dito ao capitão e declarara com veemência que também iria junto.

Ansioso por encontrar um bom motivo para expulsar os dois halffits da cidade, Sub’Azzerroze reuniu uma tropa de uns dez homens e sorrateiramente junto de seu velho amigo o anão, os seguiu estrada afora. Os dois conheciam muitos nomes procurados pela milícia arthaniana e isso lhe traria muitos benéficos financeiros se descobrisse algo para tê-los em suas mãos. Zinkt, já os acompanhava pela segurança dos dois pequeninos halffits, mesmo que isso significasse mantê-los o mais longe possível de Diock Sub’Azzerroze, em quem ele aprendera a nunca confiar totalmente.

Mas, assim que a distancia entre eles resumia-se a apenas poucas centenas de metros os dois halffits haviam desaparecido de vista e logo após uma curva no fim da estrada uma horda de orcs mercenários assomou a frente deles. Sub’azzerroze nunca havia visto nada como aquilo em plena luz do dia, eram dúzias deles e o que parecia ser o líder, berrou com sua voz gutural assim que viu um corpo em especial estendido na estrada.

Os orcs eram criaturas malignas, lembravam muito aos elfos só que primitivos e corcundas, possuíam a pele acinzentada e feições suínas, cabelos grossos e desgrenhados e presas caninas. Eram as criaturas mais perversas e sádicas que existiam. No passado haviam sido elfos, mas foram castigados por seus pecados e condenados a viverem escondidos da luz do dia.

Sub’Azzerroze viu que o corpo estendido tratava-se de um Ranger élfico, Zinkt levantou a cabeça na direção do amigo indagando o próximo passo. Sub’Azzerroze sacou a imensa espada larga e com lábios comprimidos confirmou com a cabeça o ataque. Então Zinkt sacou seu martelo de pedra e juntos os dois lideraram a investida contra a nefasta horda de orcs que contra-investiam a apenas um tiro de flecha de distancia.

Os soldados disparam as flechas.

Orcs com olhos perfurados foram ao chão.

Então, logo em seguida as duas tropas colidiram...

Sub’Azzerroze atravessou o a primeira fileira cortando seus inimigos ao meio enquanto Zinkt vinha a reboque esmagando os crânios daqueles que caiam ainda vivos. Os soldados estavam tomados pelo frenesi da batalha e gritaram feitos loucos assim que suas espadas faiscaram contras as dos orcs. Havia uns três orcs para cada soldado, mas isso parecia não intimidá-los e formando duplas eles combatiam de costas-dadas protegendo-se mutuamente enquanto suas espadas perfuravam e partiam.

― Sub’Azzerroze! ― berrou o anão sentando a martelada no joelho e em seguida no queixo de um orc, e outro e mais outro ― Eles querem o Meio-Elfo, eu vou ajudá-lo! ― emendou abrindo caminho por entre os inimigos sentando a martelada.

― Vai e volte para a cidade ― gritou de volta defendendo-se dos orcs que formavam uma roda ao seu redor atacando por todos os lados ― Leve-o até a Torre da Guarda! ― e então num golpe giratório quatro orcs caíram partidos ao meio, mas uma lâmina enferrujada atravessou seu escudo cortando-lhe o braço.

Zinkt chegou até o Meio-elfo, mas já tinham dois orcs preparados para sair correndo com ele sob as costas, então o anão arremessou seu martelo contra cabeça de um enquanto saltava sob as costas do outro. E os quatro caíram ao chão, o Meio-Elfo inconsciente, um orc sem cabeça e outro engalfinhado com Zinkt trocando socos e puxões de cabelo.

Os soldados estavam começando a ficar feridos e os orcs pareciam nunca acabar, por mais que eles morressem aos montes, parecia que nunca acabavam. Mas, o líder que fora visto no início havia desaparecido e era atrás dele mesmo que Sub’Azzerroze estava. Então ele avistou o líder orc, que mais parecia um feiticeiro em pé no alto de uma árvore, invocando no meio do campo de batalha uma criatura que se materializou bem a sua frente.

Um Troll dos pântanos.

E seu grito lamacento incendiou o coração dos combatentes de medo e desespero e tanto os orcs quanto os soldados bateram em retirada...

*****


Zinkt estava deitado sob o chão de terra com o orc por cima de seu corpo a socar-lhe a cara, mas assim que um grito terrível e familiar ecoou no ar o ser pulou de cima de seu corpo e saiu correndo. O anão esfregou os olhos e pode ver um gigante dos pântanos frente a frente com Diock Sub’Azzerroze.

O Troll era uma besta bípede carnívora e horrenda com o dobro do tamanho de um homem, com os ombros largos e braços compridos. Suas pernas terminavam em pés com três dedos e seus braços em garras monstruosas que seguravam uma gigantesca clava repleta de estacas de metal fincadas na ponta. Os Troll eram conhecidos por não conhecer o medo e atacavam e devoravam tudo pela frente, desde lagartas até ursos e humanóides. Zinkt tinha duas escolhas a fazer e deveria se decidir rapidamente.

― O que eu faço? ― gritou ele tentando fazer-se ouvir pelo capitão arthaniano e fintava frente a frente com o Troll ― Levo o Meio-Elfo para cidade enquanto os orcs não estão aqui? Ou fico pra te ajudar? ― completou colocando o Ranger sob o ombro largo.

― Vai! ― berrou Sub’Azzerroze com veemência saltando para o lado assim que a terrível clava explodiu na terra ao seu lado ― Para a Torre da Guarda! ― e então rolou novamente escapando de um novo golpe.

Zinkt saiu correndo o mais rápido que pode sem olhar para trás...

Sub’Azzerroze decidiu então usar seus superpoderes.


*****


Os dois halffits acordaram com o corpo dolorido por diversas picadas, suas línguas estavam inchadas e sentiam-se como que se tivessem bebido e se drogado a ponto de atingirem o ultimo estágio de uma overdose. O quarto escuro de paredes de pedra gélida não possuía nada a não ser um lampião a tremular pendurado no alto do teto. O chão de pedra onde seus corpos jaziam estava molhado e ensangüentado. Ladnar tentou se mexer e sentiu que estava amarrado ao outro pequenino.

Sua vista estava embaçada. Havia apenas vultos, sombras e impressões. Nada real. Apenas um vulto de um homem. E ele ria baixinho. Parecia estar se deliciando com a situação. Ladnar parecia conhecer aquele timbre de voz, aquela risada sarcástica e maliciosa. Então ele se lembrou... Diock Sub’Azzerroze.

― Ora, ora se não são meus fiéis amigos do tempo de aventuras! ― saudou com total fingimento em sua voz agachando-se a frente de Ladnar.

Ladnar estava amarrado de costas para Jerry que ainda dormia, talvez estivesse morto ou então apenas envenenado.

― O que você quer Sub’Azzerroze?

― O que eu quero seu ladrão de merda? ― replicou dando uma forte tapa na cara de Ladnar assim como um adulto faz como uma simples criança ― Eu salvei a vida de vocês que se não fosse por mim estariam agora embalados em teia de aranha pro jantar. ― então sorriu ao ver o ferimento que causara no halffit.

Ladnar sentiu um líquido quente e com gosto de ferro escorrer pela boca.

― Quero saber o que é que aqueles orcs lá na estrada do portão norte procuravam. O que é que vocês faziam lá? Diga! ― gritou com veemência segurando Ladnar pelos cabelos.

Ladnar olhou para Sub’Azzerroze e cuspiu em sua cara.

E então apanhou feito um cachorro sarnento.

Quando Diock Sub’Azzerroze terminou de bater em Ladnar ele segurou o pequenino halffit pelo queixo e apertando sua boca ensangüentada perguntou novamente:

― Onde está? ― sibilou feito uma naja venenosa.

Ladnar chacoalhou a cabeça negativamente.

― Olhe Ladnar... Eu não quero te machucar mais do que isso. É só você me dizer o que é que aquele Meio-Elfo tinha a ver com vocês e então vocês poderão ir embora. Ok? Eu sei que seja lá o que é que ele tinha vocês pegaram. E seja lá o que for agora me pertence. Ok? ― disse ele fingindo um tom amistoso.

Ladnar sorriu com o sangue seco grudado em um de seus olhos tapando-lhe visão e tomando ar respirou profundamente ignorando a dor olhou bem no meio dos olhos do guerreiro arthaniano.

― Vai se ferrar seu filho da puta! ― declarou com veemência.

Outro soco. Náusea e sangue pelo nariz quebrado.

― Seu nanico de merda é melhor que me diga logo ou então eu juro que acabo com sua vida. Não duvide de mim... O que você foi fazer lá? Quem era aquele Meio-Elfo? E aqueles Orcs? ― perguntou entre dentes segurando Ladnar pelos cabelos com uma adaga apontada para sua face.

Ladnar arregalou os olhos quando viu o brilho da lâmina ante a luz do lampião.

― Ok. Eu digo... Ta no meio do teu rabo! ― gritou rindo loucamente.

Sub’Azzerroze mordeu os lábios. Sua vontade era de matar o halffit miserável, mas precisava dele vivo para descobrir o que o Meio-Elfo possuía para atrair uma horda de orcs até os portões de Áquila. Talvez fosse melhor deixar os dois passarem um pouco de fome e sede até que resolvessem falar, pensou ele. Então pendurou os dois pelos pés em um gancho no meio da sala.

― Durmam bem crianças... ― disse antes de amordaçar-lhes e sair do aposento.

*****

Assim que saiu de uma das torres da Torre da Guarda, Diock Sub’Azzerroze viu que em uma outra torre onde o Meio-Elfo era mantido como cativo o anão Zinkt de Howerheck seu velho amigo acenava com os braços para ele da soleira da porta. Ele estava de vigia naquele aposento até que Sub’Azzerroze resolvesse um rápido interrogatório de rotina como ele havia dito. O anão nem imaginava que quando ele voltara, trouxera junto consigo os dois pequeninos halffits e para o bem de seus interesses pessoais, isto ficaria em segredo.

O Meio-Elfo havia acordado, era hora de interrogá-lo também.

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