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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Demolidores Cruzados - Parte 7/8

TORRES DA FEITIÇARIA PRIMORDIAL


Áquila, 4 de Abril de 1380, PM 23h15min


Heian, Zinkt e Sub’Azzerroze enfim chegaram até os últimos andares do aranha céu que eram as Torres da Feitiçaria Primordial. O Meio-Elfo caminhava tranquilamente quando eles estacaram no meio da ponte que interligava as duas torres centrais da antiga escola. Zinkt não sentia suas pernas muito menos conseguia respirar, seus pulmões chiavam e ele praguejou para si mesmo que nunca mais na vida fumaria novamente. Sub’Azzerroze vinha por ultimo e seu comportamento arredio e dissimulado destilava pensamentos obscuros em Heian que já começava a reavaliar os verdadeiros motivos pelos quais o Capitão Arthaniano viera.

Zinkt apoiou suas mãos de grossos e calejados dedos sob o parapeito da ponte e respirou o gélido ar da noite elevada. Seus pulmões agradeceram. Heian fingiu que não viu o velho amigo entortar a boca num gemido de dor ao levar a mão ao peito, mas Sub’Azzerroze sacou de imediato.

― Parece que alguém aqui anda precisando de cuidados médicos ou foi engano meu perceber que o anão anda sofrendo sérios problemas respiratórios? ― perguntou ironicamente num sorriso largo.

Zinkt lançou-lhe um olhar fulminante torcendo para Heian não ter ouvido nada.

― Caralho Sub’Azzerroze! Tu tá a fim de se meter na minha vida agora? ― retrucou o anão segurando o peito e sua voz saiu feito um chiado estático.

Heian olhou de soslaio para o Sub’Azzerroze.

― Que foi Duende Ruivo? Vai me dar outro soco? ― mais sugeriu do que perguntou abrindo os braços e chamando Heian para cima de si.

Heian chacoalhou a cabeça desanimada.

― Hum, não. Hoje você vai dormir sem essa... ― instou friamente.

E os três seguiram por entre o vai e vem de estudantes de feitiçaria que perambulavam e eles nem sabiam por onde começar a procurar por Zook Tarrur. Mas mal sabiam eles que nem precisavam, pois alguém os observava da cúpula da torre anexa. O feiticeiro élfico já os esperava muito antes de eles decidirem vir. Muito antes mesmo de eles sequer imaginarem que se encontrariam no dia de hoje.

Os três procuram por todos os lados e foi Heian que notou uma sombra que se deslocava das demais na escuridão, uma sombra sorrateira que logo se dissipou. Foi então que alguém tocou seu ombro. Um toque que fez o corpo de Heian tremer, um toque familiar de alguém que se apresentava sempre da mesma maneira. Invisível.

Heian virou-se rapidamente e não havia nada. Zinkt e Sub’Azzerroze não deixaram de perceber que o Meio-Elfo Havaí sido cutucado por alguém e o anão meteu-lhe o dedo na costela com um olhar inquisidor. Heian pareceu estar ouvindo alguém dizer-lhe algo em seu ouvido e com o olhar vidrado no vazio meneou a cabeça positivamente.

― Quer me dizer que diabo está acontecendo Heian? ― exasperou-se Zinkt sacando o martelo e recostando-se contra o parapeito da torre preparado para dar o primeiro golpe, mas foi interrompido por Heian que se mostrou preocupado.

― Tá maluco é? Quer que alguém nos exploda aqui! ― meio que respondeu a própria pergunta olhando em direção a entrada da torre principal ― Vamos, sigam-me por aqui!

Sub’Azzerroze riu baixinho mirando o anão com o canto dos olhos.

― Hoje ele tá atacado, vai com calma mixaria... ― sorriu acompanhando o Meio-Elfo torre adentro.

Zinkt já estava passando mal de tanto feiticeiro exótico cruzando ao seu lado num vai e vem alucinante e contrariado também os seguiu torre adentro travando uma batalha mortal contra sua teimosia.


*****

O Ranger, o Guerreiro e o Ferreiro adentraram a magnífica torre repleta de conjuradores arcanos por todos os lados e ficaram atordoados com a mistura de cheiro e cores exóticas impregnada no ar. Os estudantes arcanos eram dos mais diversos tipos, altos: baixos, verdes, amarelos, homens, elfos e até seres que eles nunca imaginaram ver na vida. Mas, ali, os três eles eram apenas mais um naquele vai e vem onde poder, magia e ouro eram negociados como se fossem mercadorias em outro mercado qualquer.

Caminharam lentamente e com dificuldade entre os diversos transeuntes, mas alcançaram a escada lateral do gigantesco salão que levava até o alto terraço. Heian seguia com a determinação de quem sabe onde está indo, mesmo que Sub’Azzerroze duvidasse disso em seu interior.

― Tem certeza Duende Ruivo, que você não ta só levando a gente pra passear? ― provocou Sub’Azzerroze olhando para o corredor repleto de portas e escadas que surgia ao fim da escadaria sem ver uma alma viva.

― Não enche! ― disse Heian indiferente e seguia tateando as paredes.

Zinkt sabia que o Meio-Elfo estava procurando alguma passagem secreta e isso era sua especialidade. O anão não tinha certeza, mas duvidava que isso talvez fosse alguma habilidade intrínseca dos elfos, como uma espécie de sexto sentido para achar essas passagens.

―Achei! ― declarou Heian com um sorriso de satisfação estampado no rosto.

Ele deslizou as mãos sob a parede e em dois pontos específicos apoiou as mãos e um contorno luminoso surgiu revelando a silhueta de uma porta que se deslocou para dentro e deslizou para o lado revelando um corredor secreto.

Zinkt sorriu orgulhoso do companheiro.

― Tu tá ficando craque nisso. Antes tu demoravas no mínimo dez vezes mais pra fazer esse serviço.

― É o mínimo que um Ranger pode fazer. ― observou indiferente o Capitão Arthaniano.

Os dois velhos amigos se entreolharam e deram de ombros, então entraram e a porta secreta se fechou atrás deles. E nenhum dos três percebeu que estavam sendo seguidos até aquele ponto.

Ao menos Heian fingiu que não.

*****


O corredor era quente e abafado, tochas dispersas de dois em dois metros ao longo da parede se incendiaram magicamente. Um arrepio percorreu a espinhas dos três. Heian percebeu que Sub’Azzerroze estava um pouco impaciente, parecia que o capitão estava mais ansioso que ele próprio para descobrir a verdade sobre seu misterioso conterrâneo.

Os três subiram diversos lances de escadas até que chegaram a uma imensa porta de metal, Heian sabia que era ali que seu ex-companheiro de estrada se encontrava. Zook Tarrur, o feiticeiro élfico que lhe ensinara no passado alguma noção de liderança e trabalho em equipe estava novamente a sua frente. E Heian mais do que todos temia esse encontro.

Diock Sub’Azzerroze tomou a frente e abriu a porta dupla de metal com um empurrão e tomou a frente adentrando o imenso salão com toda pompa possível. No fundo da sala havia uma imensa janela de vidro com vista para a cidade iluminada. A frente havia uma escrivaninha e atrás dela um impaciente e preocupado feiticeiro élfico em pé a observar a noite que chegava a pino.

― Uwau! ― disse Sub’Azzerroze com um meio sorriso indecente olhando para a imensa livraria que se estendia do piso ao teto do salão ― Perece que nosso amiguinho até que enfim esta se educan... ― e então engasgou assim que tomou uma cotovelada do anão bem no meio das costelas.

Heian segurou os dois pelos os ombros e adiantou-se, mas antes que pudesse revelar sua satisfação de encontrar seu velho amigo apenas o olhar desapontado que Zook lhe lançou já lhe despedaçou as palavras na boca.

― Que merda é que vocês estão fazendo aqui? ― perguntou Zook com total desprezo ao virar-se para encará-los.

Silêncio.

― Calma aí Zook, nenhum olá em primeiro lugar? ― sugeriu Heian aparentemente chateado.

Zook Tarrur balançou a cabeça, visivelmente irritado.

― O que é que vocês esperam? Vocês fazem suas cagadas e agora pisam aqui esperando que eu os ajude? Não há nada aqui para vocês! Caiam fora! ― disse entre dentes batendo com os punhos sob a mesa.

Heian sentiu o coração quase saltar pela boca.

― Hei! Vai com calma, cassete! Você ficou louco é? ― retrucou Heian com as veias saltando-lhe o pescoço.

― Eu avisei! Eu avisei por mais de diversas vezes! E vocês não me escutaram não é? E agora estão aqui para me dizerem que encontraram alguém com o mesmo histórico familiar que Heian Ruína de Dragão. Só que esse alguém não era você não é Heian? ― Zook Tarrur acusou-lhes aos berros dando de dedo na cara do Meio-Elfo.

Espanto. E então.

―Vamos embora daqui Heian! ― resmungou o anão bufando de raiva puxando Heian pelos braços, mas o Meio-Elfo estava descontrolado e nem lhe dava ouvidos ― Vamos cair fora dessa merda de lugar!

Heian libertou-se dos braços de Zinkt, sua vista estava embaçada, ele não entendia o motivo de estarem sendo tratados assim pelo velho companheiro, ainda mais Zook Tarrur que era o único que o compreendia.

― Caralho Zinkt! Espera um pouco! ― disse ao anão e então se virando para o feiticeiro ― Você pode nos explicar o que esta rolando com você? Nós viemos na maior boa vontade, mas parece que você já sabe de tudo, não duvido nada que a culpa disso seja sua!

Zook Tarrur arfou.

― Insolente como sempre não é Heian? Acusando-me das merdas que você sempre cometeu, se alguém tem culpa aqui esse alguém é você! Somente você Heian Ruína de Dragão! ― berrou mais alto ainda que Heian.

Os dois já estavam a ponto de se pegarem. Sub’Azzerroze entreolhava-se com Zinkt e os dois nada entendiam. Havia algo que os dois não sabiam rolando no ar entre Heian e Zook, mas eles ainda não tinham conseguido captar nada de especial.

― Minha culpa? Você pode ser mais claro, por favor? ― exigiu Heian socando a mesa com os punhos e olhando o feiticeiro bem dentro de seus sagazes olhos escarlate.

― Eu lhe avisei e disse que iria acontecer! Você não deveria tocar nas Ovoluns e você as tocou. Você sobrepujou meus conselhos e as tocou! Você foi possuído por uma delas e aposto que não contou nada a nenhum de seus amigos pela cara deles. ― disse Zook entre dentes com a face crispada de raiva.

Heian sentiu uma pontada bem no meio do peito e as acusações de Zook lhe atingiram feito uma flecha mortal. Então seus temores se concretizaram, mas Heian ainda não entendia o que uma coisa tinha a ver com a outra.

― Heian... ― disse Zinkt pelas costas do Meio-Elfo.

― Eu posso explicar... ― ofertou Heian virando-se para encarar o velho amigo.

Silêncio.

― Agora eu entendo tudo Duende Ruivo... Você tomou para você uma das três Ovoluns que deveriam ter sido destruídas há muito tempo atrás. Entendi tudo perfeitamente. E agora você se faz de desentendido sobre tudo isso. Com certeza você sabe muito mais do que finge saber não é? ― acusou Sub’Azzerroze abrindo os braços para o Meio-Elfo que se não fosse por Zinkt teria partido para cima do capitão novamente.

― Pare Heian! ― ordenou Zinkt ― Sub’Azzerroze tem razão, tu nos traiu!

―Não! ― exasperou-se Heian empurrando Zinkt para trás ― Eu nunca faria isso e vocês sabem muito bem. Eu posso explicar!

― Explicar o que Heian? Você era o guardião das Ovoluns. Onde estão às outras duas? ― exigiu Sub’Azzerroze dando de dedo na cara do Meio-Elfo ― Não vai me dizer que as vendeu?

Heian sentiu seu mundo desabar.

― Foi um acidente! Um acidente! Mas você é idiota demais para entender, vai pro inferno Sub’Azzerroze! ― gritou tentando chutar o capitão arthaniano na cara enquanto tentava se libertar do abraço de urso que o anão lhe dera.

Sub’Azzerroze aproveitou a oportunidade e sem pensar duas vezes disparou um soco contra a cara do Meio-Elfo que se debatia nos braços do anão e tanto Heian quanto Zinkt tombaram no chão.

Então de saco cheio da algazarra organizada em sua sala Zook Tarrur com apenas alguns gestos e algumas palavras em um dialeto arcano fez com que os três amigos ficassem paralisados sem poderem mexer um nervo sequer.

Zinkt sentiu seu coração disparar além do limite, nunca antes na vida ele havia sido encantado e ele sabia que anões não eram facilmente dominados pela magia e isso só significava uma coisa, Zook Tarrur estava mais forte do que antes. Bem mais forte.

― Agora vocês vão me escutar. A coisa é muito mais séria do que vocês imaginam... ― advertiu o feiticeiro bem no momento que a gigantesca porta de metal da entrada veio abaixo violentamente.

Zook Tarrur arregalou os olhos assim que viu a silhueta do Meio-Orc adentrar o salão com os dois pequeninos halffits a reboque enquanto girava um gigantesco martelo de metal que fora o responsável pela destruição de seu patrimônio.

― Festinha particular e nem me convidam? ― perguntou Thord Vallis com um fumegante charuto arthaniano balançando no meio do beiço ― Acho que agora é a hora de todo mundo acertar as contas então! ― insinuou num sorriso malicioso olhando de canto para o capitão arthaniano.

Zinkt sorriu ao ver todos os ex-Demolidores Cruzados juntos novamente, mas ele sabia que desta vez havia muitos segredos a serem revelados. Segredos que poderiam destruir de vez a frágil amizade que os unia desde então.

Então Zook Tarrur levantou as mãos em sinal de advertência, todos sabiam que seu foco era o bárbaro Meio-Orc. Mas sabiam mais ainda que, o que ele tinha para dizer era algo que faria com que até Thord Vallis congelasse pelo brilho dos seus olhos.

― Pare! Esta cidade está viva! Ela é uma entidade cósmica que esta prestes a entrar em estado de Supernova e somente nosso amigo Meio-Elfo aqui pode impedir que nosso mundo seja dominado esta noite. ― disse tudo sem respirar nenhum segundo ― Se você não escutar tudo o que tenho pra dizer, eu lhe garanto que nunca mais você encontrara Áquila nos mapas do planeta Hakis! ― advertiu extremamente preocupado.

Thord Vallis pouco se lixou e deu um passo a frente...

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