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quarta-feira, 9 de março de 2011

Supernova - 4



Então uma CZ61 Skorpion, uma metralhadora tcheca feita no princípio para utilização em veículos militares sem capacidade para armas longas, abriu fogo sob a noite do alto de uma janela.

Sem dó nem piedade os que estavam ao redor do corpo do jovem acidentado sentiram seus corpos serem cravejados por balas quentes como o magma do inferno e desprenderem suas almas de seus corpos. Cabeças estourando, tripas escapando, mandíbulas esfacelando, gritos, dor e desespero.

Sangue, muito sangue...

Em menos de um minuto num raio de quinze metros havia onze pessoas no chão. Heian pode ver a chuva de fogo que descia da janela, mas seu corpo já tremia violentamente em espasmos de dor e sua mente estava confusa. Estaria ele sonhando?

A sua frente uma luz fraca que foi aumentando sua intensidade iluminou os furos da tampa de um bueiro vazando para o asfalto. Heian se perguntou se talvez a morte fosse azulada, mas não, era uma de minhas filhas chegando para cumprir com sua meta.

O homem que portava a arma tcheca surgiu nas ruas sob o olhar tenso dos soldados do Comando Ovolun que na outra esquina operavam informações com seus rádios. Eles se conheciam há muito tempo e o jovem operador de produção de armamentos não passou de uma isca nesse duelo. Uma isca de sua própria criação.

Vestido de um, sobretudo negro, e também com a cabeça raspada assim como Heian, o homem no centro da rua abriu os braços para que os soldados viessem pegá-lo. Mas ambos sabiam que se qualquer um dos dois atravessasse o limiar do conflito uma verdadeira guerra se iniciaria.

Os buracos do bueiro a frente de Heian estavam totalmente iluminados e através da viseira despedaçada do capacete ele pode ver o mesmo se abrindo de dentro para fora. Uma mulher vestida de calças e jaquetas de couro negro, e com cabeça raspada puxou Heian sangrando para dentro do bueiro e o atirador no centro da rua também adentrou as entranhas do asfalto fechando a tampa do bueiro sobre eles.

Os sentidos de Heian estavam esfacelados e a morte embalava sua perspectiva de futuro. Alguém colocou seu corpo sobre água que escorria pelo esgoto sem se importar com seus ferimentos.

─ Não tenha medo irmãozinho ─ disse uma voz masculina em seu ouvido ─ Você vai sobreviver a qualquer custo, pois sua mente será encontrada por Áquila e então você despertara para a verdadeira vida.

Heian sentiu a água suja dos esgotos lavando seu corpo e a menção do nome Áquila lhe causou um estado de pânico, pois se tratavam de leitores fanáticos de seus quadrinhos publicados na internet. Eles iriam matá-lo assim como ele havia escrito que os rebeldes de sua obra fariam.

─ Nós iremos matá-lo agora, mas você renascera em outro lugar assim como aqueles que acreditam que há um céu ou um inferno. ─ declarou alguém que segurava suas mãos e possuía olhos tão alaranjados quanto o mais terrível veneno que nunca fora visto ─ Nós somos seus leitores e acreditamos em você e em sua obra, mas você acredita na existência dos seus leitores?

Então a mulher que o arrastara para dentro do bueiro retirou de seu bolso uma seringa com um líquido rosado com mechas púrpuras que reluzia loucamente e enfiou sobre o ventre de Heian que gritou, mas gritou com todas as forças que possuía assim que o líquido adentrava suas vísceras e sentiu as forças desaparecerem.

A dor desligou seu sistema neuronal. Agora ele estava sem seus cinco sentidos, sua mente não mais percebia a existência do Mundo Sensível e apenas viveria no Mundo Inteligível, um lugar onde apenas poucos eram capazes de viver em comunhão. Alguns seres o esperavam do outro lado, adeptos e seguidores de sua doutrina particular que ele nem mesmo sabia que comandava.

E então minha conexão com ele se foi...

Desde então rumores dizem que ele morreu.


CONTINUA...

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