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quinta-feira, 10 de março de 2011

Supernova - 5


Mundo Sensível. Áquila, 29 de Julho de 2020.

Quando abrimos os olhos e descobrimos que estávamos sonhando esperamos que a realidade, seja tão doce quanto nossos sonhos mais secretos. Mas, o que fazer quando não se sabe onde é seu lugar? Se no mundo dos sonhos e da imaginação ou da vida real ou virtual dos jogos de computadores. Mas, para você o que é real? Realidade?

Depois de um sonho do qual não conseguimos acordar ou um pesadelo que imprime em nossas mentes sentimentos de angústia, dor, saudade, paixão e ódio; Ao estarmos despertos temos plena certeza de que aquilo não foi real, mas os sentimentos em nossos corações nos dizem o contrário, pois para sua mente tudo o que ela é capaz de conceber é real.

Isso gera um paradoxo, pois nós percebemos o mundo através de um filtro que é nosso cérebro e pense bem, e se esse filtro estiver com problemas? Será que todos nós, no mundo inteiro percebemos a realidade da mesma maneira? Assim que um sonho se acaba ele se torna uma lembrança como qualquer outra, seja ela real ou virtual. Com o tempo você já não se lembra da diferença dos sonhos e as lembranças, pois sua mente acha que tudo foi real mesmo.

Quando Heian Hakinavis despertou de seu sono profundo com todas as lembranças de uma vida que ele nunca possuiu, seu corpo estava dormente como se ele não o utilizasse há muito tempo.

Ao seu redor havia paredes de antigos tijolos a vista, como dos antigos templos do século passado. Seu quarto na verdade era uma biblioteca e no centro onde deveria ficar uma mesa de estudo estava sua cama repleta de equipamentos hospitalares para manter seu corpo funcionando. Haviam tubos enfiados em quase todos os buracos de seu corpo, quase todos. A sua frente, em uma poltrona velha, lendo uma revista mensal de carros de corrida estava um velho amigo seu: Zink de Holderheck, um ex-piloto de corrida na casa dos sessenta que ajudou sua avó a criar a ele e seu irmão Helm e desde então atua como mecânico tunando carros para playboys e traficantes.

─ Acorde garoto, seus preciosos anos de vida devem ser vividos aqui fora. ─ declarou Zink entusiasmado com o despertar de Heian retirando o aparelho que o ajudava a respirar e medindo sua febre com a palma de sua mão.

─ O que aconteceu? ─ perguntou meio sem voz, totalmente fraco e desorientado sem fazer a mínima idéia de como ele viera parar ali.

─ O mundo mudou filho, vivemos na merda de um sistema totalitário. Algumas pessoas como você, preferiram viver sonhando em uma realidade virtual. ─ explicou entristecido fingindo um sorriso.

E como se fosse um enfermeiro experiente, injetou substancias diversas no soro intravenoso de Heian, mas não eram remédios e sim drogas pesadas altamente proibidas.

─ Isso fará com que você se levante em menos de uma hora. ─ declarou o velho amigo cobrindo Heian com uma coberta velha, pois seu corpo iria sentir muito frio.

Heian estava perplexo. Da ultima vez quando vira Zink de Holderheck, e isso fora há poucos dias, fora em sua garagem de carros onde ele e Helm compravam, reformavam e vendia carros, um comércio bem lucrativo que não justificava o fato de eles usarem o lugar como fachada para seus negócios ilícitos.

Zink de Holderheck sorria de felicidade em ver seu jovem amigo e quase um filho de volta a vida. Havia muita coisa a ser explicada e depois desse despertar não poderiam mais perder tempo.

─ Semana passada você não tinha cabelos brancos Zink ─ sussurrou Heian sorrindo e um pouco encabulado passando a mão sobre sua cabeça e vendo que ela ainda continuava raspada ─ Desde o acidente quando tempo se passou?

─ Dez anos.

Heian perdeu o fôlego e piscou perdido, ele não estava entendendo porra nenhuma do que estava acontecendo. Estaria ele em coma esse tempo todo? Mas, e todas as lembranças desses últimos anos em sua mente? Seriam de onde? E Ariakness?

─ Que? ─ esganiçou incrédulo ─ Me lembro de um acidente e depois nada mais, o que houve?

─ Escute bem, filho. Você estava sendo perseguido pelos homens do prefeito por conta do conteúdo da obra que você estava escrevendo e dos quadrinhos que você publicava na web. Eu não sei como eles descobriram, mas descobriram e queriam apagar você.

Heian piscou os olhos, incrédulo.

─ Impossível, eu ainda não tinha publicado nada. ─ declarou Heian tentando negar a realidade da situação, pois no fundo ele imaginava que se tudo o que ele desconfiava fosse verdade, o governo impediria ele de lançar sua obra ─ No fundo você tem razão, minha explicações fariam a sociedade refletir um pouco mais sobre o que é ou não impossível para a subconsciente.

 
CONTINUA...

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