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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Áquila. Bairro do Centro Novo - 2




Áquila - 1370


As ruas da metrópole colossal eram mais longas do que realmente as pequeninas pernas podiam suportar, mas isso eles já sabiam desde o começo. Com as mochilas abarrotadas de quinquilharias e doces, os dois halfftis, Ladnar e Jerry, mantinham o ritmo forçado da mesma maneira como quando a demanda havia se iniciado, há dois dias, última vez em que se encontraram com Zinkt de Howerheck, o velho Anão nas cidades dos subterrâneos.
 O vento caloroso da noite agitada embalava a vontade dos dois em encontrar alguma casa de jogos clandestinos ou um prostíbulo com experiências transcendentais, mas eles tinham um acordo e o Anão nunca quebrava acordos. Os dois halfftis de não mais que noventa centímetros sentiam que a cada esquina ultrapassada entre tanta gente que ia e vinha para todos os lados, eles estavam rodando em círculos. Algo de estranho estava acontecendo no bairro desconhecido do Centro Novo e isto eles podiam sentir muito bem. A revista dos guardas do Comando Ovolun no portão de entrada do bairro fora feita mais rigorosa, mas eles não estavam com nada contra a lei, a não ser seus planos.
Um dos halfftis, o mais rechonchudo, parou com as costas diante de um gigantesco edifício abandonado e deixou-se escorregar até o chão coberto por bitucas de cigarro e latas de cerveja em um beco, entregando-se totalmente ao cansaço, semicerrou os olhos como se fosse adormecer eternamente. O outro, que trazia em seus braços um fiel vira-lata debilitado pela fome e pela sede.
— Já perdi as contas Ladnar, de quantas horas já estamos rodando em círculos neste bairro cheio de bandidos e traficantes. Pelos meus planos já era para estar na porta da casa do Anão, eu tinha certeza de que a rua era essa. — lamentou Jerry, o mais magricelo enquanto afagava o pescoço de seu fiel vira-lata observando a densa neblina que pairava na rua.
O outro halffti mais rechonchudo, vasculhou a própria mochila em busca de algo para comer alheio ao comentário do amigo, mas parou abruptamente quando gritos e sons de uma troca de tiros rompeu a ordem entre os pedestres e o transito do local.
— Que porra é essa Ladnar? Tiros?— sussurrou o halffti mais rechonchudo escondendo-se atrás de uma grande caixa de lixo enquanto puxava seu amigo pela gola do corselete de couro — Será que o Comando Ovolun encontrou nosso rastro?
— Cala essa boca Jerry, se aqueles assassinos nos acharem já era nosso plano.
Os dois sabiam bem que algo terrível estava acontecendo, os tiros que ecoavam das ruas pareciam atravessar sus corações como uma faca. Eles perceberam que um grupo dos Anarcotraficantes estavam sendo atacados por um grupo tático do Comando Ovolun. Os edifícios em torno do tiroteio estavam sendo despedaçados tamanho era o calibre dos tiros. Vidros, gritos, carros batendo, sirenes, caos total.
Era possível ouvir claramente o arrancar dos veículos e das motos táticas com seus motores super potentes. Os pequeninos trocaram olhares desesperados e abraçaram-se fortemente clamando aos deuses que poupassem suas vidas, não havia mais duvidas, eles puderam ver muito bem através do beco em que se esconderam a forma de uma gigantesca criatura metálica de quase três metros que estampava a insígnia militar do Comando Ovolun, empunhando um gigantesco lança mísseis que detonava os veículos e os edifícios na rua enquanto caçava seus alvos pela cidade causando mais destruição ainda aos civis.
 Os dois estavam incapazes de mover um membro sequer, tamanho era o medo que pairavam sobre seus corações, nunca antes em suas vidas eles haviam visto uma criatura tão devastadora quanto essa causar tamanha destruição na metrópole colossal. Tratava-se da nova arma militar do Comando Ovolun. Prontamente os dois viram que não haveria saída para eles pelas ruas e logo eles seriam pegos para prestarem depoimentos de rotina como sempre acontece quando alguém está em uma cena de confronto.
Sem mais, os dois se olharam e concordaram com o que viram: um bueiro. Um míssil detonou um restaurante do outro lado da rua irradiando uma onde de vácuo que jogo os dois a metros de distancia ao fundo do beco. Doloridos e chamuscados eles se levantaram correndo, abriram a tampa do bueiro e sem pensar duas vezes pularam. 

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